Da criação até a Terra Prometida, história
Os primeiros livros da Bíblia contam a história da humanidade, iniciando com a narração da criação, passando pela constituição de um povo hebreu, com Moisés, até a chegada na Terra Prometida.
Assim, cerca de 2500 anos de história estão organizados nos primeiros 5 livros da Bíblia. Importante salientar que no primeiro livro bíblico, o Gênesis, possuímos dois grandes grupos de conteúdo, a pré-história bíblica e a história bíblica, que começa com Abraão. Vejamos:
Da pré-história bíblica
Abraão é o pai de todos os que creem, então a história bíblica tem que começar por Abraão, pois a Bíblia é o livro de todos os que creem. Desta forma, tudo o que é narrado anterior à Abraão compõem uma pré-história bíblica [importante distinguir as narrações bíblicas a respeito das origens, daquelas descobertas que compõem o que conhecemos como a pré-história Universal {descobertas da existência de vida na Terra desde os tempos imemoriais até o aparecimento da escrita, cerca de 8000 Anos Antes de Cristo}].
Mas, por que a necessidade de uma pré-história bíblica? Porque o povo escolhido por Deus, descendentes de Abraão, em algum momento constroem seu texto sagrado, precisando interpretar, a partir desse seu relacionamento com Deus, a origem do homem e outras curiosidades prementes da condição humana como o bem e o mal, os povos e línguas, etc.
Assim, encontraremos dentro desse corpo do Gênesis os seguintes temas: a criação, a origem do homem, a queda original, o fratricídio, o dilúvio bíblico, a origem dos povos.
A criação: O relato da criação é apresentado duas vezes em Gênesis, o primeiro em Gênesis 1 toma um corpo como de poesia, um hino litúrgico, e a segunda vez se encontra em Gênesis 2. No primeiro relato da criação quem escreve apresenta, de uma forma muito bela, a ação criadora de Deus na constituição de todas as coisas. Catequeses que esse texto nos traz: a importância da lei do repouso do Sétimo Dia; há um só Deus, pois tudo o que se conhece foi feito por sua vontade; Deus é bom e fez tudo bom; Deus não fez o Mal; a matéria e o espírito tem origem por um ato criador de Deus; o homem é imagem e semelhança de Deus por sua alma espiritual dotada de inteligência e vontade; o casamento é abençoado por Deus; o trabalho do homem é a continuação da obra de Deus.
A origem do homem: Os detalhes sobre a origem do homem em Gênesis 2 são diferentes da forma como a criação é apresentada no hino de Gênesis 1. Aqui o homem é criado por primeiro, o vendo sozinho Deus lhe planta um jardim, o vendo sozinho Deus cria os animais. Mas, o homem ainda está só (Gn 2, 20), então o Senhor cria a mulher e o homem não está mais só. As catequeses presentes no relato da criação do homem são: Deus é o criador do homem (combatendo as narrações de outras religiões e povos da época); Deus tem uma relação especial com o homem e sua identidade (assim como o oleiro com os objetos que produz a partir de suas mãos); homem e mulher são de mesma natureza e dignidade; homem e mulher são diferentes dos demais seres; homem e mulher são iguais (por isso Deus usa da costela do homem para fazer a mulher e não de uma nova porção de barro); homem e mulher são criados para uma vida de íntima relação com Deus; homem e mulher são criados bons.
A queda original: Gn 3 procura explicar a origem do mal, ou seja, tratar do bem e do mal. Se Deus é bom e todas as coisas foram feitas boas, por que existe maldade e sofrimento? Essa narrativa nos ensina a seguinte catequese: no início os homens viviam dons especiais como a filiação divina; chamados a participar da vida e da felicidade do próprio Deus; a imortalidade; ausência de sofrimentos; a integridade (seus instintos e afetos estavam em consonância com fé e razão); a ciência moral infusa (vivia bons, pois foi bondade que Deus pois dentro deles). No livro da Sabedoria, capítulo 2, versículo 23, lemos que a morte entrou no mundo por inveja do demônio e em Jó 8, 44 lemos que Satanás é o homicida, desde o início mentiroso, pai da mentira. Por meio da figura da serpente o autor sagrado explica que o mal tentou o homem e o homem cedeu a tentação. A origem do pecado está na soberba do homem, que quis poder decidir por si mesmo entre o bem e o mal, desobedecendo a Deus que lhe pedira não comer daquele único fruto, como consequência de sua escolha o homem perdeu esses dons especiais.
O fratricídio: Trata-se da história do primeiro assassinato, narrando a morte de Abel pelas mãos de Caim por motivos de inveja. A grande catequese que essa narração traz está justamente ligada com o relacionamento do homem com Deus: depois de querer igualar-se a Deus correndo o risco e efetivamente perdendo os dons especiais de partilhar da felicidade dele da convivência constante da imortalidade, só resta ao homem deteriorar também o seu relacionamento com o seu próximo. Quando o homem diz não para Deus passa dizer não, também, para seu irmão. A fidelidade a Deus e a fidelidade ao próximo são inseparáveis, uma vez tendo dito não a Deus seria inevitável dar as costas também ao seu irmão.
O dilúvio: Trata-se da história da nova criação, do que muitas vezes não nos damos conta. A história do dilúvio que temos em Gênesis 6 é uma catequese sobre o amor de Deus e o recomeço. Nesse texto encontramos as seguintes mensagens: Deus é sempre Santo e puro, mesmo homem tendo-se perdido do motivo primeiro da sua criação; Deus também é justo, não podendo deixar indefinidamente a maldade dos homens existir; Deus é clemente, pois antes de exercer sua justiça encontre entre os homens aquele que é justo, Noé; Deus encerra um período da história da humanidade e por meio das águas do dilúvio inicia um novo tempo, uma nova criação, depositando o seu amor e sua esperança sobre este único homem justo que restará sobre a terra, Noé, de quem a humanidade então descenderá.
A origem dos povos: Trata-se da conhecida narração da Torre de Babel. Aqui, muito além de explicar perspectiva das origens, a existência dos diversos povos, culturas e línguas, o escritor sagrado faz uma profunda mensagem catequética sobre a identidade e missão do homem no mundo. Terminado o dilúvio a descendência de Noé se encontra no mesmo lugar e aí deseja permanecer, sobre uma mesma cultura sobre o mesmo idioma, querem se fazer fortes e famosos (Gn 11, 4). É o pecado voltando a tomar espaço dentro da humanidade, o homem se esquece da sua missão de crescer, multiplicar e de povoar toda a terra, que Deus lhe atribuíra (Gn 9, 1). Deus intervém novamente e confunde a língua dos homens e os homens se dispersam por toda a Terra. Isso nos ensina que as consequências do primeiro pecado são muito profundas e o mau proveniente dele se mantém sempre presente, o que explicará também porque Deus escolherá a Abraão e sua descendência e não toda a descendência de Noé para revelar e fazer sua aliança. Outra catequese importante deste trecho é a origem dos povos, não no sentido geográfico, mas na mensagem implícita dessa narração de que toda a humanidade é proveniente daquele homem justo que foi salvo por Deus, existe uma igualdade entre os povos diante de Deus, mesmo que depois ele venha a escolher a um povo específico para reservar para si (para que, por meio dele, homem e Deus se reaproximem)
Antes de mudarmos de tema precisamos falar sobre a composição destes textos. Conforme as passagens abaixo, que você pode conferir, é possível observar ao longo da Bíblia - e na pré-história bíblica há trechos que deixam isso bem evidente - que um evento possui mais de uma narração. Isso acontece pelo fato já falado anteriormente, a Bíblia foi transmitida inicialmente de forma oral, de pais para filhos, ao longo de muitas gerações até que tenha sido resolvido pôr por escrito em um texto que hoje chega para nós na Bíblia impressa. Mas, todo um povo, disperso pelo território de um país, não conseguiria manter uma história exatamente igual, quando conservado ao longo do tempo nas condições acima descritas. Narrações ao longo das gerações se associaram em quatro grandes grupos que são conhecidas como a fonte javista, fonte eloísta, fonte sacerdotal e a fonte deuteronômica. De uma forma simples, podemos dizer que uma mesma história, sem que o seu conteúdo fosse diferente, possuía faces distintas conforme o grupo ao qual pertencia a pessoa que contava a história. Veja: Gn 7, 4.12.17. e Gn 7, 11.24; 8, 13.
Assim, como em uma família, o pai narra uma história a partir das suas lembranças, de forma diferente que o faz a mãe e até mesmo os filhos. Também o povo de Israel possuía faces diferentes para uma mesma história que precisarão ser costuradas em um único texto quando as narrações bíblicas foram constituídas em escritos bíblicos.
Abrãao
Abraão é onde a história bíblica começa, como período histórico. É para Abraão que Deus se revela, e será a partir de Abraão que se desenvolverá o reconhecimento de um Deus único e de sua descendência sairá o povo de Israel.
Ele é a grande figura de pai para Israel, ancestral comum entre as tribos que saem do Egito, do povo hebreu, homem forte e determinado, de grande história, um peregrino igual ao seu povo, justo e temente a Deus.
Abraão é chamado por Deus para sair de onde está e ir para a terra que o Senhor lhe dá, ele migra de Ur dos Caldeus para Canaã. O seu povo será chamado a sair de onde está, Egito, e migrar em direção à Terra Prometida, Canaã. Ainda, o povo no exílio também sairá da região da Babilônia em retorno a sua Terra. O povo escolhido se liga de diversas formas a seu patriarca.
Abraão é considerado um pai para todos os judeus, pois de Abraão descende Isaac e Jacó, patriarcas com Abraão da nação judaica. Também é um pai para a religião islâmica, pois de Abraão descende Ismael de quem surgiria os árabes. Por fim, Abraão é um pai para os cristãos, pois o projeto de salvação, cujo ápice se dá em Jesus Cristo, passa por Abraão e se desenrola em sua descendência.
disponível em http://www.daladierlima.com/deus-chamou-abraao-em-ur-ou-em-hara/
É uma figura importantíssima, pois ele vai na direção oposta a todos os povos que o circunda, desde Ur até mesmo em Canaã, ele nega o politeísmo (muitos deuses) em favor de UM Deus (monoteísmo). Para nós que crescemos envolvidos por esse conceito de um só Deus parece coisa natural, mas em um mundo onde esse conceito não existia, era um absurdo!
O amor de Abraão por Deus é tão grande que ele se põe a cumprir o pedido do Senhor para o sacrifício de Isaac, seu filho tão desejado e tido apenas na velhice, sendo interrompido no último minuto por um anjo.
José
De Abraão descendem Isaac, seu filho, e Jacó seu neto, personagens que possuem narração bíblica conhecida, sempre relacionada para a posse da benção de Deus, recebida por Abraão para sobre sua descendência. De Abraão descendem diretamente duas grandes nações, Ismael e Isaque (Isaac). De Isaac, figura com que Deus prova a Fé de Abraão, descenderá outros 2 povos, os edomitas por Esaú, que trocou com seu irmão Jacó o direito para a benção de seu pai, e Israel que descenderá de Jacó.
Mas, Israel como uma nação ainda não existe neste momento. O que temos são os 12 filhos de Jacó, cada um pai de uma das 12 tribos que depois do êxodo se uniram em um só povo sob o nome de Israel.
Um desses 12 filhos é José, o caçula vendido como escravo para o Egito. Será esse filho mais frágil, traído por seus irmãos, que os livrará da fome acolhendo-os mais tarde no Egito como seus protegidos, uma vez que se tornará alto mandatário do faraó, interpretando o seu sonho de aviso sobre o período da seca.
Com o passar dos anos, e gerações, os descendentes de Jacó no Egito se tornaram numerosos e foram feitos escravos do faraó passando todo tipo de penúria o povo pedia e clamava ao Deus de seus pais Abraão, Isaque, Jacó que tivesse compaixão deles.
Moisés
Moisés é o personagem de maior destaque dentro do conjunto dos 5 primeiros livros da Bíblia, o Pentateuco, isso se dá diretamente ao fato do seu papel como o escolhido de Deus para operar a retirada do povo hebreu (Israel ainda não existe) das mãos do faraó.
Ainda, será justamente no tempo de Moisés, que essas doze tribos irmãs serão conhecidas como Israel, um só povo de Deus. Por isso Moisés é tão importante dentro do Antigo Testamento, ele é o elo do Povo com Deus, o grande profeta, o grande juiz, o grande líder, ele que coloca o povo na caminhada para o cumprimento da promessa de Deus. É também por isso que seu nome é tão presente, inclusive no Novo Testamento, sendo mencionado também por Jesus Cristo.
Olhando o estado em que o povo hebreu se encontrava na escravidão, Moisés tinha tudo aquilo que era necessário para ser considerado a pessoa errada para o trabalho, com dificuldade para falar e foragido da Justiça ele é chamado por Deus a voltar para o Egito, se apresentar diante da máxima autoridade e argumentar pela e para soltura do povo e fim da escravidão.
Mas, Deus dá a Moisés todos os recursos de que ele precisa e é fiel a fé de Moisés, acompanhando ele o tempo todo. Assim, Moisés conduz o povo durante todo o tempo de processo e saída do Egito, passando pelas 10 pragas, atravessa com o povo o mar vermelho, deixando para trás seus opressores.
Não fosse o bastante tudo aquilo que já havia acontecido, era preciso ainda um longo período de purificação para esse povo poder entrar na Terra Prometida (aqui falando do lugar geográfico específico aonde iriam viver, mas também naquele estado de espírito, aquela forma de vida, que era desejada por Deus para eles). Moisés se embrenha com o povo deserto a dentro e nesse tempo no deserto Deus promoverá com eles a sua aliança, que é o ponto alto do relacionamento do homem com Deus na visão do judaísmo (a aliança feita no deserto).
No Deserto o povo será chamado a se aproximar de Deus, vindo a cair logo em seguida, mas sendo reaproximado de novo com Deus, nesse processo de continuar a purificação.
Recebem a Lei no deserto, no deserto também recebem o maná, no deserto eles recebem a instrução para o culto e, finalmente, do deserto eles começam a possuir a Terra com a benção de Deus, batalhando e conquistando cada pedaço de chão. Moisés estará com o povo todo esse tempo e o levará até as portas de Canaã onde o povo entrará sob o comando de Josué.
A história de Moisés compreenderá 4 dos 5 livros que compõem o Pentateuco: Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. E servirá para o povo Judeu como uma lembrança de como foi difícil saírem do Egito e se tornarem uma nação, o que só foi possível pela graça e ajuda de Deus, com quem eram constantemente infiéis, mas Deus sempre foi fiel com seu povo, Moisés é o grande exemplo de como ser um judeu, sua história é um reflexo da identidade de um povo.

Gostei, fácil de entender.
ResponderExcluiruma pergunta?? Os primeiros 5 livros do antigo testamento são resultados de 4 fontes: eloísta, javista, sacerdotal e deuteronomista. As nossas bíblias usaram qual fonte ? ou todas
Olá, os livros são resultado da harmonização das 4 fontes que você menciona. Ao ler, lemos todas. No próximo encontro ao vivo mostrarei um esquema para identificá-las.
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