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Israel nos tempos dos Juízes e Reis

O tempo dos Juízes e Reis de Israel, que trataremos aqui, vai desde Josué - com o ingresso na Terra Prometida - até a divisão do Reino de Israel, logo após a morte de Salomão.

Primeiramente, sobre a entrada do Povo na Terra Prometida, é preciso considerar a seguinte situação: uma vez que Moisés está morto, Josué recebe a missão de introduzir o povo na Terra Prometida atravessando o rio Jordão. Essa conquista nos parece acontecer de forma unificada, de uma só vez, conduzida por Josué, principalmente quando passamos pelo conteúdo de seu livro e observamos os relatos de batalha e a divisão das terras.

Parece o episódio lógico a acontecer depois de tanto tempo no deserto, depois da purificação do povo e morte da velha geração, que condenada por suas faltas, não entraria na Terra da Promessa.

Entretanto, em Jz 1, 27 observamos que, na verdade, Israel conviveu com muito grupos não expulsos dos povos originários daquele lugar. Isso significa, que muito embora tenha havido embates e disputas, a terra não foi completamente esvaziada e tomada pelo hebreus. O que vem a ser um permanente problema para Israel. Assim, somos levados a enxergar a posse dessa terra, que nos é narrada com este personagem Josué, como um processo mais gradual e até mesmo fragmentado.

Importante! Observar que neste tempo, mesmo tendo sido conduzido por Moisés no deserto, ao longo de 40 anos, e confiadas a Josué depois disso, este povo ainda se organiza em tribos relativa ou consideravelmente independentes, Js 17, 14 e Js 22.


Assim, nesse primeiro período de Israel podemos falar de uma aliança de tribos, formavam esse povo Israel. Mas, não uma Israel Nação. É neste contexto que surgem os juízes.

O período dos juízes (sécs. XII-XI a.C.) ocorre por causa da justificativa encontrada em Jz 2, 1-4. As tribos não estão coesas, unidas, muitas vezes nem se entendem entre si. Isso, somado ao insucesso na expulsão dos outros povos, traz problemas para esse povo recém formado (agrupado) e assim Deus suscita pessoas em determinados momentos para, por meio delas, socorrer Israel, esses serão os juízes.

Durante esse período, desorganizados e "descomprometidos" com Deus, cada um faz o que quer. E, quando tomado conta de sua iniquidade e arrependidos, clamam a Deus por misericórdia. Deus, por sua vez, envia um juiz que lhes servirá de salvação, pode ser salvarem-se deles mesmos, de outra tribo ou de outros povos.

Os juízes poderiam servir propriamente para julgar o povo que se distanciou de Deus Jz 10,1-2, Jz 10,3-5, Jz 12,8-10, Jz 12,11-12 e Jz 11,13-15, ou para além da função jurídica propriamente dita, agir em seu favor como em Jz 3,7-11, Jz 3,12-30, Jz 4,1 – 5,31, Jz 6,1 – 8,32, Jz 10,6 – 12,7 e Jz 13,1 – 16,31.

Mas o povo começa a compreender que lhes faltava um referencial, isso porque ignoravam e se afastavam constantemente de Deus, o povo desejava parecer-se com as nações ao seu redor e ter um rei. De certa forma, justificavam as depravações de desvios pela ausência de uma referência central. É assim que Samuel, profeta e último juiz, conforme a narração iniciada no Capítulo 8, acabará ungindo a Saul como rei para Israel.

Muito embora será no período da monarquia de Israel que a nação terá o seu auge de tamanho e soberania, não era parte do projeto de Deus que tivessem um rei. Sobre Israel Deus é que reinava, mas o povo não conseguia entender isso, muito menos ser fiel a esse desígnio.

Embora Saul é sagrado chefe de Israel e feito rei pelo povo, muito rapidamente sua postura humilde e agradável a Deus (1Sm 10, 22) muda, sendo tomado pela soberba (Saul deixa de crer na soberania de Deus 1Sm 13, 8s) e uma sucessão de transgressões o leva a ser rejeitado por Deus. O tempo da monarquia ocorrerá do séc. 11 a.C. até a queda de Jerusalém (587/586 a.C.).

Rejeitado por Deus, Saul é tomado por um espírito deprimido (1Sm 16, 14), motivo pelo qual o jovem Davi acaba em sua corte. A sequência dessa história é relato muito conhecido, Davi tem êxito contra Golias e, a partir de então, coleciona vitórias em favor de Israel, levantando a inveja e a ira de Saul. Davi acaba Rei de Judá (2Sm 2, 1-4) e, alguns anos depois, também das tribos do norte, ainda sob o reinado da casa de Saul. Povo o elege como seu rei (2Sm 5, 5-12), unificando Israel como uma só nação.

Importante! No início Davi é aclamado rei apenas pela tribo de Judá, Saul continua rei de Israel (as demais tribos). Davi irá colecionando vitórias ao mesmo tempo que o reinado de Saul vai se esvaindo, Saul morre e deixa seu reino para Isbaal seu filho, este acaba assassinado e as tribos do norte coroam Davi seu rei, o que fará desses dois grandes grupos de tribos (Sul com Judá + Benjamin e Norte com as demais 10 tribos) uma só Nação.


Davi foi rei de Israel no século 10 a.C. e em tudo que empreendeu foi vitorioso, mesmo que a partir de determinado momento sua conduta já não era irrepreensível (2 Samuel 11, 16-17. 26). Mas, como rei ele foi grande para Israel. Foi conquistador e soberano, fez a nação ser grande, estável e respeitada. Sempre teve uma postura justa nas ações de chefe de estado, desde antes de sê-lo, como todas as vezes que poupou a vida de Saul, mesmo sendo perseguido por ele.

Chefe de estado, Davi é o modelo de grande homem para qualquer judeu, ele tem cumpridas nele as promessas de uma grande nação, de soberania e de descendência.

Salomão será o sucessor de seu pai no trono de Israel, após uma disputa política com Adonias. O período do Reinado de Salomão será uma conclusão e sofisticação dos feitos de seu pai. Salomão é considerado o modelo de homem sábio para todo judeu, ele aproveitou a nação unificada, conquista de seu pai, as posses e a soberania constituídas pelo mesmo e aperfeiçoou o Estado e a Monarquia.

No período de Salomão serão extintos os últimos costumes tribais, será construído o templo, o poder será centralizado ainda mais, haverá um exército forte e constituído, fortalezas bem edificados, cidades e portos comerciais, diplomacia com as nações vizinhas, etc.

Mas, Salomão também terá o seu pecado, que foi ceder aos desejos de suas esposas estrangeiras e permitir-lhes a construção de templos para seus deuses (1Rs 10). Por causa de seu desvio Deus lhe punirá com o fim do Reino Unificado de Israel.

Roboão assume o lugar de Salomão como rei de Israel, mas impõe condições ainda mais difíceis de vida para as tribos do Norte que acabam por se rebelar e eleger Jeroboão (que fora um oficial de Salomão) como seu rei, deixando apenas Judá e Benjamin como tribo submissa à casa de Davi. A divisão do reino de Israel ocorreu no ano 931 antes de Cristo.

Destaca-se que durante o reinado de Davi e Salomão, com a unificação de Israel sobre o reino só, as tradições das Tribos do Norte foram silenciadas, lugares sagrados para essas tribos como Siquém, por exemplo, perderam seu espaço. O centro ativo da Nação ficou apenas em Jerusalém, prevalecendo então a cultura e tradição da Tribo de Judá (recordar aqui o que já vimos sobre as fontes bíblicas oriundas do Norte e do Sul, que se diferenciavam entre si. São pontos de vista diferentes)

Quando Israel é dividido em dois novos reinos do Norte e do Sul, as 10 tribos do Norte que compunham o Reino de Israel podiam finalmente resgatar as suas tradições próprias e cultura, voltando a valorizar lugares como Betel, Siquém e Dã. Este reino será, depois, conhecido como Samaria. Agora, então, podemos entender as raízes da pejorativa visão que os judeus (súditos do reino de Judá) construíram e mantinham a respeito dos samaritanos. Afinal, foram as tribos que "traíram" a Casa de Davi e a benção que Deus derramou sobre ela.

Atuarão nesse período e cenário, no Reino do Norte, Israel, os profetas Elias, Eliseu, Amós e Oséias.

Atuarão nesse período e cenário, no Reino do Sul, Judá, os profetas Isaias, Jeremias, Miquéias, Sofonias, Naum e Habacuc.

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