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O anúncio do Messias que vem

Em um período de tanta dificuldade, Israel deseja viver um estado de Paz, estado que experimentaram no período do Reino Unido, especialmente no ápice do reinado de Davi, continuado depois por seu filho Salomão.

Exatamente por isso, o Messias é esperado como sucessor da coroa de Davi e vitorioso sobre as nações vizinhas, restaurando a grandeza de Israel, onde por consequência viveriam a paz, SHALOM, e a realização da promessa de Deus.

Neste cenário de dificuldades, que são investidas militares por parte dos estrangeiros principalmente, Deus suscita homens em meio do povo para serem Guardiões de Sua Palavra.

Esses chamados por Deus os conhecemos como profetas e nos dedicaremos aqui a um pequeno esquema a respeito de cada um deles. 

Os profetas são agrupados em Profetas Maiores e Profetas Menores, da seguinte forma:

Maiores – Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel.

Menores – Oséias, Amós, Miquéias, Joel, Abdias, Jonas, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.

Essa divisão não quer, de forma alguma, indicar um hierarquia entre os profetas, indicando profetas mais importantes que outros. Acontece que os livros/rolos maiores foram vinculados ao primeiro grupo, ao passo que os profetas com escritos menores se agruparam no segundo.

A ordem dos livros que exploramos aqui não é a mesma em que os livros aparecem na Bíblia, mas a ordem em que eles se situam na história da Israel, conforme quadro elaborado e disponível na publicação "os tempos difíceis de Israel". De forma que, sugere-se estudar as publicações em conjunto.

Profetas que se encontram no contexto do Reino de Israel (Norte):

Elias – não se trata de um livro profético, mas de um profeta registrado em 1Rs 17,1 – 2Rs 1,17. Corajoso, muito popular, enfrenta reis e falsos profetas para defender a causa de um Deus único. Em Eclo 48, 1-11 se vê o quanto Elias era apreciado entre os judeus. 

Eliseu – não se trata de um livro profético, mas de um profeta registrado em 1Rs 19, 19-21; 2Rs 2, 1-25; 3-9; 13. Discípulo de Elias é, também, autor de milagres. Ver Eclo 48, 13-15 o que se diz dele.

Amós – profetizou a mando de Deus no reinado de Jeroboão II, Samaria. Neste momento em que o Reino do Norte estava em expansão, a prosperidade trouxe o enfraquecimento da religião, as regalias e luxos, assimilação de costumes estranhos. Foi a este cenário que Amós censurou, predizendo a queda de Israel. Ele também será o primeiro a reconhecer um “resto” de José para se referir aos poucos fiéis que restaram.

Oséias – pregou em mesmo período que Amós, provavelmente tendo testemunhado a queda da Samaria. Oséias fala de seu casamento com Gomer, uma mulher leviana, que acaba escrava mas é resgata por Oséias. A intenção desse texto é se referir a relação entre Javé e Israel que é vista como um casamento. O tema central é o amor de Deus por seu povo infiel.

Profetas que se encontram no contexto do Reino de Judá (Sul):

Isaías* – o livro de Isaías, na verdade, é a hominização de três livros. Isto levou os estudiosos a falarem em 1º Isaías, 2º Isaías e 3º Isaías. Essa conclusão se deu, entre outros motivos, pelo foco de cada segmento ser distinto dos demais, além de elementos textuais que sugerem períodos distintos para cada segmento. 

1º Isaías – referente capítulos 1 a 39, aqui estamos diante do próprio profeta deste nome e ambientado no séc VIII a.C. cujo 2Rs 18 – 20 também relata. Uma profecia messiânica, sobre a descendência de Davi e o nascimento por uma virgem está situada neste segmento. 

2º Isaías – referente capítulos 40 a 55, aqui estamos diante de um autor anônimo que dedica os escritos à autoria de Isaías. O segmento está ambientado no exílio babilônico, séc VI a.C. Seu conteúdo gira em consolo à Israel desterrada e profetismo contra a opressora Babilônia. Traz uma profecia messiânica sobre um servo fiel que oferece seu sofrimento pelos irmãos pecadores.

3º Isaías – referente capítulos 56 – 66, aqui estamos diante de um outro anônimo, que já ambientado no pós-exílio retoma as profecias de Isaías para consolar os recém-retornados à Jerusalém destruída. Aqui temos uma profecia messiânica que reforça uma Nova Jerusalém centro para judeus fiéis e, até mesmo, pagãos convertidos.

Miquéias – profetizou durante a queda da Samaria e invasão de Senaquerib, é citado por Jeremias. Trata-se de um ministério de censuras e promessas, propondo “praticar a justiça, amar com misericórdia e proceder humildemente diante de Deus” (6, 8).

Jeremias – é tido teologicamente como figura do Cristo Jesus, pois durante todo seu ministério Jeremias sofreu e foi perseguido por causa da Palavra de Deus que ele anunciava com abnegação. Jeremias vive em plena ruína do Reino de Judá e suas advertências contra o povo pecador e os conselhos que dá ao rei tem um ar derrotista para os judeus, de maneira que só terá reconhecimento após sua morte. A profecia de Jeremias fala de uma nova Aliança (Jr 31, 31-33; Jr 24, 7; Jr 32, 39; Jr 23, 1-8)

Lamentações – cinco cânticos que choram a queda de Jerusalém em 587 a.C. Eles reconhecem a culpa do povo, chamam à penitência, esperam pela misericórdia divina e clamam por Sua ajuda. O livro é tradicionalmente atribuído a Jeremias.

Baruc – é contemporâneo e escriba de Jeremias (Jr 32, 12 e Jr 36, 26). Mas, o livro que leva seu nome deve ter sido composto apenas no século I a.C. o seu conteúdo, no entanto, está ambientado na destruição do Templo com Jerusalém personificada exortando os exilados à coragem e perseverança (Br 4, 5-29)  

Naum – trata unicamente da iminente queda de Nínive, que era capital o império assírio, opressores de Israel e ameaça para Judá. Por se tratar de uma profecia contra Nínive, parece ter sido escrito pouco antes de 612, quando de fato Nínive cai sob ataque dos babilônicos. 

Sofonias – atuou sobre o reinado de Josias, mas ainda antes da reforma religiosa que ele empreenderá. Isso se observa no conteúdo de suas censuras à forma como o reino (cidadãos) se encontrava. O centro de seu ministério é o anúncio do Dia do Senhor. 

Daniel – o conteúdo de Daniel é midráxico (1-6) e apocalíptico (7-12), ou seja, não se encontra ali referenciais históricos de precisão. Na primeira parte quer incutir no judeu a confiança no Deus de Israel, maior que todos os poderes humanos e na segunda parte quer revisitar toda a história de Israel para mostrar o tempo presente como próximo da vinda messiânica (Deus viria em breve).

Ezequiel – seu ministério se deu no tempo que Jerusalém caiu sob Nabucodonosor. O conteúdo do livro, após narrar o início do ministério do profeta, faz uma sessão de censuras ao povo antes da queda de Jerusalém, segue com oráculos contra os povos estrangeiros que subjugavam Judá, consola o povo durante o cerco prometendo um futuro melhor e descreve a nova cidade após a volta do exílio.

Habacuc? – fala do Senhor suscitar os caldeus (babilônicos) para punir os ímpios (Assíria que tomou o Reio do Norte), o Senhor promete ainda vencer o opositor (do seu povo). O profeta traz uma inovação, ele ousa cobrar Deus de seu governo no mundo e tem por resposta que os caminhos inteligíveis do Senhor salvarão o povo, o fiel.

Ageu – é quem dá início ao período profético pós-exílio. O tema central do conteúdo de seu livro é a Restauração, tanto física quanto espiritual de Jerusalém.

Zacarias – os primeiros oito capítulos são imediatamente seguintes ao início do ministério de Ageu e também versam sobre a restauração do povo e salvação de Israel. O restante do livro parece se referir a outro contexto e período, tendo sido posteriormente atribuído a Zacarias.

Malaquias – escrito após a reconstrução do Templo, mas não muito depois (no máximo 50 anos), tem por temas centrais o culto pouco valorizado pelo povo ainda e a questão dos casamentos mistos e divórcios. Ele anuncia o retorno de Elias como prenúncio do juízo final.

Abdias?* – trata-se de um livro muito difícil para os biblistas devido ao seu tamanho, apenas alguns versículos. O mais provável é que tenha sido escrito logo ou pouco após a queda de Jerusalém. Em seu conteúdo o profeta acusa o reino vizinho, Edom, de ter se aproveitado da queda de Judá para benefício próprio e profetiza a restauração e vingança por parte de Jerusalém. Deus defende o justo.

Joel?* – compreende duas partes: a) 1, 2 – 2, 27 a invasão por gafanhotos e uma súplica a Deus pelo fim da praga; b) 3, 1 – 4, 21 o Dia do Senhor com a Efusão do Espírito, o julgamento das nações e o triunfo de Judá. Trata-se de gênero literário apocalíptico, obra redigida provavelmente por volta do 400 a.C.

Jonas – tem como datação defendida atualmente o século V a.C. logo não pode ser o mesmo Jonas citado em 2Rs 14, 25. A datação se baseia no conteúdo, o livro de Jonas narra um profeta que se recusa a abrir-se para os outros povos, essa característica nacionalista é própria do Reino de Judá dos quinhentos antes de Cristo.


Legenda:

* – observação importante;

? – datação incerta, uma posição histórica aproximada;

?* – datação incerta, posição do livro na história de Israel com mais de uma possibilidade.

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