Os livros que contam a história, chamados de livros históricos, compreendem os seguintes textos no cânon católico:
Josué
Josué é o primeiro dos livros denominados históricos, aqueles que relataram a jornada histórica de Israel desde seu ingresso na Terra Prometida, passando pelo seu auge com o reino Unificado, chegando ao tempo pós exílio e das dominações estrangeiras.
É considerado como o material de transição entre o Pentateuco (povo reunido sob Moises) e o período tribal já na Terra Prometida. Sua redação como conhecemos hoje é tardia, ou seja, estamos diante de um livro dedicado a este personagem da história, Josué, que relata os seus feitos em favor de Israel, mas que não foi escrito propriamente por ele. Estudos sugerem que ao longo do tempo uma coleção de textos orais e escritos pois sendo formada para ser as fonte do que hoje temos como livro de Josué.
Josué é considerado também como uma espécie de fechamento para o Pentateuco, que termina com a despedida e morte de Moisés, mas deixa uma atmosfera de espera pelo cumprimento da promessa, que precisa acontecer. Assim, Josué faz essa função de 'completude' para o Pentateuco e, ao mesmo tempo, transição para o novo período do povo hebreu, que é a vida em tribos, distribuídas ao longo da Terra Prometida.
O livro de Josué deve ser lido com esse cenário em perspectiva, ele é o homem jovem e fiel que levará a cabo os desígnios do Senhor para aquele povo hebreu purificado no deserto e, também, jovem e fiel. Será a partir desse “novo de Deus” que acontecerão as conquistas na Terra Prometida e sua entrega em herança para cada uma das tribos.
Em tempo, quando lemos Josué é impossível não observar a dureza com que os povos vencidos são tratados, o que pode levar a questionamentos sobre a bondade de Deus. Importante, a este respeito, ressaltar que Israel tinha como vocação ser diferente dos outros povos, pois foi escolhido para ser a Assembleia de Deus, o povo de Deus, sendo um povo reservado e separado do restante. Essa era a verdade que Israel tinha diante de seus olhos e que deseja cumprir, ao menos sempre havia quem o desejasse, diante dessa perspectiva o hebreu não se via podendo conviver com o estranho e por isso lhes tratará tão duramente. E, quando não o trata duramente, ao passo de pouco tempo (alguns anos na maioria das vezes) se vê em apuros por causa dessa atitude 'solícita' que decidira tomar.
Esquema de Josué
Introdução 1, 1-18
Entrada em Canaã 2, 1-5,12
Tomada de Canaã 5,13-12,24
Distribuição da terra 13,1-22,34
Renovação da aliança 23,1-24,33
Juízes
O cenário do Livro de Juízes se associa muito particularmente com o contexto final do livro de Josué. Morto, Josué não deixa um sucessor e as tribos se encontram assentadas em seus respectivos territórios de herança sem um governo central, como havia sido desde a saída do Egito com Moisés e depois por Josué.
Ainda, quando da posse da Terra Prometida, Israel não subjugou todos os povos que viviam ali, coabitando depois disso com a população cananeia local. Esse fato será determinante para os conflitos narrados ao longo de todo o livro de juízes.
Com o passar do tempo, de tempos em tempos, uma e outra tribo se encontravam em apuros, ou elas se associavam aos cananeus e seu culto, flagrante desobediência a Deus, ou eram ameaçadas por essas mesmas populações que desejavam retomar a posse dos territórios.
Assim o livro de juízes nos apresenta como Deus interferiu em cada uma dessas ocasiões suscitando do meio do povo personagens que viriam agir no sentido de restaurar o estado desejado por Deus para o povo.
Ora, esses personagens serão juízes com o sentido que damos atualmente à palavra, fazendo julgamento das más práticas das tribos e trazendo-as de volta ao caminho, ora serão promovedores da salvação, quando levavam as tribos a defenderem-se e restaurarem seus domínios e praticas religiosas.
O tempo dos juízes, embora nos relate uma impressionante instabilidade, mostra como eram os planos de Deus para seu povo, sem um rei, Israel era uma aliança de tribos, herdeiras de uma promessa, que tinham a Deus por rei e o culto a ele como seu preceito e elo. Porém, as instabilidades não eram desejo de Deus, elas eram decorrentes do coração dos homens que não conseguiam manter-se fiéis à Palavra de Javé.
O livro serve, assim como o de Josué, para fazer uma transição para o próximo formato de Israel, que virá a ser a monarquia. Mais do que um livro de transição, pois essa característica é mais íntima ao livro de Samuel do que ao de Juízes, o contexto de vida de Israel em Juízes é a justificativa para o advento da monarquia (Jz 21, 25).
Esquema de Juízes
Introdução 1, 1-3, 6.
História dos dozes juízes 3, 7 - 16, 31.
Apêndices sobre a luxúria 17, 1 - 18, 31 e 19, 1-21, 24.
Rute
O livro de Rute é uma história catequética e está colocada na sequência do Livro de Juízes por conta do conteúdo de seu Capítulo 1 Versículo 1 (“ no tempo em que governavam os juízes”). Rute é também indicada como bisavó de Davi (Rt 4, 21).
A função do livro de Rute pode ser indicada para duas frentes distintas e relacionadas: em primeiro, o livro conta a história da boa ascendência de Davi, a partir de pessoas que seguem a aplicação da lei de Israel; outra frente, aplacar o sentimento de nacionalismo exagerado que sempre marcou os filhos de Israel, se em Josué e Juízes Israel trata com tanta dureza o estrangeiro, em Rute vemos que David tem origem também dos povos originários, os moabitas.
Por seu formato e conteúdo, citando e fazendo referência a vários outros escritos judaicos, se pode concluir que a redação do texto que conhecemos se deu após o retorno do exílio da Babilônia (por volta de 400 a.C.)
Esquema de Rute
Rute, viúva, moabita, volta a Jerusalém com sua sogra 1, 1-22.
Rute encontra-se com Booz 2, 1-23.
Rute recorre à lei do levirato 3, 1-18.
Booz casasse com Rute em cumprimento à Lei 4, 1-17.
Contextualização histórica 4, 18-22.
I e II Samuel
Na origem, Samuel é um único livro que por questões de praticidade foi dividido em dois e desde então permaneceu assim. Samuel é uma obra estreitamente ligada com o livro de Reis, motivo pelo qual já foi defendido no passado que se falasse em 1º, 2º, 3º e 4º Reis.
Embora o livro de Rute esteja entre Juízes e Samuel, este último se liga diretamente àquele, visto que o contexto histórico de ambos é o mesmo, a presença e ameaça filisteia. Ainda, Samuel é o último dos personagens denominados como juízes, logo faz elo com o livro de mesmo nome.
Em Samuel é descrita a caminhada do povo de Israel de tribos para uma monarquia, atingindo o ápice com o reinado de Davi, homem segundo o coração de Deus (1Sm 16, 14). Está contido nessa obra o período aproximado da história entre 1050 a 970 a.C.
Os personagens de maior relevância são Samuel, a quem é dedicada a autoria do material, Saul e Davi. De forma resumida, temos Samuel recebendo ímpar missão, para nosso estudo ele é a ponte de passagem do povo de Israel de uma aliança tribal para uma nação monárquica.
Saul será ungido por Samuel para liderar o povo, ele terá sucesso como rei apenas enquanto esteve fiel a Deus. Mas, no exato momento em que transgredir os preceitos, Deus o rejeitará. Saul foi rei para Israel, pois Israel queria um rei, assim poderíamos adaptar o atributo dado a Davi dizendo que Saul foi um Rei segundo o coração do povo, motivo pelo qual seu êxito foi breve
Davi, por sua vez, na discrição de suas atribuições não passa despercebido aos olhos de Deus e em sua pequenez o faz grande, uma alusão a sua vitória contra o gigante Golias. Mesmo não tendo realizado apenas atos puramente bons, visto que em determinado momento Davi toma atitudes contestáveis, ele sempre manteve cuidado as coisas de Deus e nisso foi muito importante para Israel, o que lhe garantiu a bênção sobre seu trono e descendência que lemos em 2Sm 7, 11-12.
Importante destacar que ao lermos 1Cr 11-19 estamos lendo um paralelo de 2Sm, trata-se do mesmo período, sob uma outra perspectiva.
Esquema de Samuel
Samuel é juíz 1Sm 1, 1-7, 17.
Saul é Rei 1Sm 8, 1-15, 35.
|-escolha 1Sm 8, 1-12, 25.
|-rejeição 1Sm 13, 1-15,35.
David é Rei 1Sm 16,1- 2Sm 24, 25.
|-Saul e Davi 1Sm 16.1-31,13.
|-Glória do Rei Davi 2Sm 1, 1-8, 18.
|-Família de Davi 2Sm 9, 1-20, 26.
|-Apêndices sobre Davi 2Sm 21, 1- 24,25.
I e II Reis
A obra de Reis tratará de um período de aproximadamente 400 anos. Ela começa com o reinado de Salomão e registrará todo o período até a libertação de Jeconias, rei de Judá (Reino do Sul) que estava detido na Babilônia (561 aC), já no período do Exílio. A característica determinante para o nome desta obra é a extensa relação de reis para os tronos do norte e do sul logo após a morte de Salomão e a divisão de Israel, esse registro tomará a maior parte da obra, desde 1Rs 12,1 - 2Rs 17,41.
Para além do registro da sucessão ao trono, a obra de Reis possui importância teológica e histórica para se compreender as profecias messiânicas. Ao lermos a obra de Reis é preciso ter presente que o fim último do texto é explicar a queda dos dois reinos e, por consequência, o exílio.
É contrastante como um reino esplêndido, como o de Salomão, narrado no início de 1Reis, terá o fim desastroso que relata 2Reis 17ss. Mas, para entendermos esse sistema é preciso lembrar que Deus chamou o povo para uma aliança e que profetas eram suscitados do meio do povo para lembrá-los disso sempre que as coisas começavam a desandar. Os reis, por sua vez, deveriam fazer cumprir e serem fiéis a essa aliança, já que eram os líderes máximos daquele povo. Toda vez que o rei se afastava dessa tarefa seu reinado desmoronava. Reino do Norte cai primeiro, poderíamos dizer, porque se afasta primeiro do Senhor, o Reino do Sul cai em seguida, sofrendo o exílio babilônico.
Esquema de Reis
Reinado de Salomão - 1Rs 1 - 11, 43.
Divisão de Israel até a queda do Reino do Norte 1Rs 12 - 2Rs 17, 41.
|- profeta Elias 1Rs 17, 1 - 2Rs 1-17.
|- profeta Eliseu 1Rs 19, 19-21; 2Rs 2, 1 - 25; 3-9; 13.
Reino de Judá, reforma religiosa e posterior exílio 2Rs 18, 1 - 25, 30.
|- Rei Ezequias 2Rs 18, 1 - 20, 21.
|- Rei Josias 2Rs 22, 1 - 23, 30.
I e II Crônicas
A obra de Crônicas, que também se referia a um único livro original que atualmente utilizamos divido em dois, procurou ler a história de Israel desde a criação até o exílio a partir de uma perspectiva sensivelmente mais religiosa. De certa forma, em Crônicas está todo o conteúdo dos livros que o precedem, ou melhor dizendo, ele versa sobre todo aquele mesmo período e eventos históricos que encontramos nos livros anteriores.
Poderíamos nos atrever a sugerir que uma leitura sobre os livros de I e II Crônicas poderiam nos fornecer um apanhado geral da jornada de Israel junto a Deus, desde os primórdios até aquele momento, desde que nunca nos esqueçamos de que há nele uma determinada perspectiva e que, justamente por isso, não substitui a leitura dos demais livros já tratados nesta postagem.
Escrito após o exílio, com Isael humilhado pelas nações vizinhas, sem rei, sem soberania, sem posse da terra, precisa ser lembrado teologicamente de sua herança e ligação direta com Deus, essa é a preocupação por trás de Crônicas, por isso seu foco está em Davi e sua ascendência e descendência, ligando-o ao culto e ligando seu Reino ao culto. Tudo isso na intenção de reanimar o povo ao pertencimento e exercício de sua vocação (ser o Povo de Deus).
Esquema de Crônicas
De Adão até Davi 1Cr 1, 1-9, 44.
Davi 1Cr 10, 1 - 29, 30.
Salomão 2Cr 1, 1- 9, 31.
Reino de Judá 2Cr 10, 1-36,23.
|- Fim do exílio 2Cr 36, 22ss.
Esdras e Neemias
Trataremos os livros de Esdras e Neemias como um conjunto, visto que muitos estudiosos o consideram como uma obra só. Importante destacar que um estudo bíblico desses livros (de seu conteúdo capítulo a capítulo) se mostra peculiarmente difícil, visto que sua composição não segue a cronologia dos fatos ocorridos na época em diversos trechos, o que já nos sinaliza que o foco do hagiógrafo (pessoa que compôs o texto) não era de um relato histórico.
A obra trata dos acontecimentos relativos à volta do povo exilado na Babilônia para a Terra Santa e à sua restauração da vida religiosa e civil (aproximadamente de 538 a 430 ou talvez 398 a.C.). Observa-se nesse período: o entusiasmo e a alegria dos que voltam do exílio e os obstáculos colocados por seus adversários, pois a terra estava ocupada por outros povos. Estes povos não queriam a reconstrução de Jerusalém e do Templo.
Não fosse o bastante, a prática de casamentos mistos, as relações comerciais, o regresso empobrecidos e os samaritanos apoiando os que não queriam Jerusalém de pé, faziam um clima de desânimo. Ageu, Zacarias e Malaquias serão os profetas que ajudarão o povo a se reerguer sob a chefia de Esdras e Neemias.
Essa restauração será importantíssima para Israel, aqui nascerá a religião judaica, o judaísmo significa religião de Judá, tribo que detém o trono de Davi e do futuro Messias. Esdras é o pai do judaísmo.
Tobias, Judite e Ester
Assim como Rute, estamos diante de três obras que hoje poderíamos denominar de catequéticas. A função delas é um ensinamento específico. Os judeus chamam este tipo de texto de midraxe (um conto com finalidade de esclarecer ou explicar um tema, geralmente de moral).
É possível observar essas características quando, lendo os textos, observamos que eles não se referem a todo o povo de Israel (o que se nota nos demais livros abordados até aqui, com exceção de Rute), também não é possível localizar no textos elementos suficientes para identificarmos em que época estamos.
Tobias ensina a admirável Providência de Deus para um homem fiel que observa sua Lei. Não é possível indicar quando o original foi composto.
Judite ensina como Deus age através do fiel, fazendo a heroína ser uma viúva que jejua e ora. Composto por volta do séc. II a.C.
Ester procura reanimar os judeus, ensina que a providência rege os acontecimentos e cumpre os desígnios de Deus, ainda que tudo parece indicar o contrário. Composto por volta do séc. I a.C.
Muito embora não sejam livros históricos por excelência, se encontram nessa posição por dois motivos: primeiro, pois o contextos das narrativas sempre relatam uma Israel dominada pelo estrangeiro, que é justamente o período que se observa no fim de II Crônicas; segundo, pois o período provável de seu composição é dentro da época dos Macabeus, livros que sucedem esse conjunto.
Importante, Tobias e Judite não constam entre os livros sagradas para os não católicos, conforme já tratado em nosso curso. Em Esdras também há trechos não estão presentes. Ainda I e II Macabeus são retirados das bíblicas não católicas.
I e II Macabeus
Contextualização: O fim do livro de Crônicas nos relata o fim do exílio babilônico. Os livros de Ester e Neemias nos contam a restauração do povo em sua terra, o que seria o período de 538 a.C. (fim do exílio) até cerca de 398 a.C. Depois disso não temos mais nenhum relato histórico no Antigo Testamento até chegarmos no livro de Macabeus. Sabe-se, porém, que os judeus tiveram um período de relativa paz, especialmente em relação à liberdade de culto, mesmo permanecendo todo esse período como um território dominado por alguma das nações vizinhas (Persas, Gregos, Sírios).
Será no último ano do domínio de Seleuco IV (175 a.C.) que os judeus se veem agredidos quanto a sua religião (2Mc 3, 1-40). Seu sucessor, Antíoco IV, não foi melhor e o Templo foi profanado, levantando a ira de muitos, denominados Macabeus por causa de um guerreiro chamado Judas, conhecido Macabeu, que se destacava na revolta.
Quanto aos dois livros podemos dizer que, de certa forma, 2Mc está para 1Mc como Crônicas está para Reis. Ou seja, o livro de 2Mc narra uma segunda vez aquilo que vemos em 1Mc, porém, seu ponto de vista é diferente. Ao passo que lendo 1Mc nós nos sentimos diante um relato histórico típico dos livros de história, 2Mc tem uma atmosfera mais teológica em seu conteúdo.
1Mc nos conta como a revolta foi bem sucedida e como Judas Macabeu conseguiu recuperar, purificar e dedicar o Templo de novo, em 164 a.C. Jônatas, que teve sucesso em campos de batalha, acabou morto em uma emboscada após aceitar um acordo político com o inimigo. Simão, irmão de Jônatas e filho de Judas Macabeu, também se aliará aos estrangeiros, conseguindo autonomia para os judeus (também acabará morto).
Em 2Mc lemos apenas o período de Judas Macabeu. Porém, seu conteúdo é enriquecido com um conjunto de elementos que tem por objetivo uma mensagem-leitura teológica. Aqui a família que tem tanto espaço em 1Mc aparece tardiamente e com menos espaço. O foco do livro está na intervenção divina em favor do povo, assim: Eleazaro (6, 18-31) e os sete irmãos Macabeus (7, 1-42) são mártires da Lei de Deus; os pagãos acabam reconhecendo a santidade do Templo (2, 22; 3, 2; 5,15; 15,18); o próprio Céu vem em favor (3, 24-29; 13, 6-8; 14, 32-35; 15, 28-35); anjos aparecem (3, 25s; 5, 2-4; 11, 6-8; 15, 23).
Extras
Evolução teológico-doutrinário do pensamento religioso judaico na obra de Macabeus:
- Deus "tudo fez a partir do nada" (7, 28) e é quem rege os acontecimentos humanos (5, 17s;7, 16-19.33-35. Nossa história é Providência Divina.
- A ressurreição dos corpos é professada pelos mártires antes de serem entregues à morte (7, 9.11.14.23).
- A ideia de um juízo se vê pelos ímpios que também terão sua ressurreição (7, 14.36). É o fim da concepção de cheol (lugar subterrâneo no qual os bons e os maus, após a morte, se encontravam adormecidos).
- A doutrina do purgatório póstumo e do sufrágio pelos defuntos se acha esboçada em 2Mc 12, 38-46;
- A intercessão dos Santos pelos seus irmãos na terra é atestada em 15, 11-16; a morte não interrompe a comunhão do povo de Deus (vivos e mortos).
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